sexta-feira, 16 de agosto de 2013

FÉRIAS

Final de Ano

Já aqui disse que não sei viver de outro modo.
Para mim o ano começa em Setembro e acaba em Junho.
Julho e Agosto são meses sombra. Intervalo entre duas realidades.
Quando chegam as actividades de final de ano, sinto-me confortável.
Participo nas confraternizações que acho que devo, com alegria.
Chega Setembro e aí sim.
 Faço projectos, ando ansiosa, guardo um tempo para arrumar a minha vida
Recomeço um ciclo que vai durar alguns meses e prometo a mim própria que as coisas vão ser diferentes.
Que querem?
Eu sou assim e não vejo razão para mudar.



segunda-feira, 10 de junho de 2013

10 DE JUNHO

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades

É nesta segunda-feira, tristonha e deprimida que se faz a comemoração da portugalidade.
Os políticos cabisbaixos e receosos de manifestações inesperadas.
Dos apupos não se salvam.
O povo não festeja este dia, não tem razões para isso, assiste.
Em Elvas nenhum calor se faz sentir. Nem o do clima nem o humano.
Não há nada de bom a anunciar. O futuro é uma incógnita e o presente é de fome...
Hoje é dia de Portugal!!! 

Já Foste Rico e Forte e Soberano  

Já foste rico e forte e soberano,
Já deste leis a mundos e nações,
Heróico Portugal, que o gram Camões
Cantou, como o não pôde um ser humano!

Zombando do furor do mar insano,
Os teus nautas, em fracos galeões,
Descobriram longínquas regiões,
Perdidas na amplidão do vasto oceano.

Hoje vejo-te triste e abatido,
E quem sabe se choras, ou então,
Relembras com saudade o tempo ido?

Mas a queda fatal não temas, não.
Porque o teu povo, outrora tão temido,
Ainda tem ardor no coração.

Saúl Dias, in "Dispersos (Primeiros Poemas)"

sábado, 18 de maio de 2013

ÍNDIA

O SONHO REALIZADO

Realizei de 26 de Abril a 7 de Maio um dos meus sonhos: ir à Índia.
Não foi uma viagem fácil por muitas razões: doze dias longe de uma pessoa que, apesar de ter insistido comigo para ir, nunca tinha ficado longe da minha "supervisão" tanto tempo; o preço; a má forma física  e a incapacidade de desligar completamente do turbilhão de coisas que eu supervalorizo e me impedem de gritar a plenos pulmões"AGORA É A MINHA VEZ!"
Só a partir da visita ao Taj-Mahal (4º dia) é que me libertei.Não me perguntem porquê. Eu não sei responder.
O bem estar psicológico suplantou então as maleitas físicas e deixei-me levar por sonhos bonitos relacionados com as histórias e estórias que ia ouvindo. Passei a olhar para as pessoas de forma diferente, para o amanhecer de cada dia e senti-me não uma privilegiada, mas alguém que queria  saber, que tinha curiosidade e vontade de  rasgar todas as ideias préconcebidas e começar do zero...
Será que teria aproveitado melhor exsta visita se a tivesse feito há uns anos?
Talvez!...
Cada um tem o seu tempo. Apesar de tudo, desde que não se perca a capacidade de sonhar, arranjamos o nosso tempo...
A acomodação, o arrependimento por não termos feito algo que muito desejávamos deve ser bem mais doloroso e, hoje, posso dizer que nunca mais esquecerei o dia do meu aniversário lá, enquanto a aragem já levou a memória dos outros.





terça-feira, 19 de março de 2013

DIA DO PAI

MEMÓRIAS BOAS...

Já há quase trinta anos que partiste e não sei porquê, mas a tua presença tem-se mostrado cada vez mais forte em muitos momentos da minha vida actual.....
Lembro-me tão bem da tua figura austera, do teu sentido de humor, da tua generosidade e do teu amor à nossa Língua que, agora, que sou avó e tento transmitir conhecimentos e saberes ao meu neto só penso em ti e no excelente trabalho que fizeste comigo e com o teu neto. Tento imitar-te, mas isto está tudo tão diferente...
Quase todos tinham uma ideia de ti errada, pois o teu aspecto era militar, mas o teu coração era de quem cativavas.
Que orgulhosa me sentia quando, só nós os dois, furávamos as ondas alterosas da Meia-Praia em dias de levante...
Raramente me impuseste algo, raramente  já adulta te pedi alguma coisa, mas a segurança, o respeito e o bem-querer erm tão fortes que não eram precisas palavras.
Sei que te orgulhavas do modo como eu exercia a minha profissão, porque me tinhas transmitido um espírito de missão inquestionável...mas eu orgulho-me muito mais de ti que me proporcionaste tudo o que sou hoje: uma mulher que não só existe, É.


quinta-feira, 7 de março de 2013

DIA DA MULHER

À medida que o tempo passa cada vez menos valor dou a certas datas. Umas são demasiado banais, outras meramente comerciais, outras porque nunca as comemorei nem vejo interesse nenhum em fazêlo e, com as outras, defendo-me para não sofrer...
Mas isso é outra conversa.
Toda a semana tenho visto na imprensa alusões a festejos no dia 8 deMarço. Parece que cada vez as mulheres estão mais unidas contra tudo o que ataca a nossa sociedade de forma tão cruel: a fome, o desemprego dos filhos e das famílias em geral e outras questões que nunca se resolverão como o facto de as mulheres ganharem menos do que os homens, etc, etc...
O que eu sinto como mulher que também é  mãe e avó é muito difícil de descrever... e, por isso socorri-me das palavras sábias deAndré Maurois:

"O que fizeste para a mulher, isso ela pode esquecer, mas nunca esquecerá aquilo que para ela não fizeste."

E, já agora, recordo aqui o poema  Calçada de Carriche  de António Gedeão que marcou muito a minha sensibilidade como mulher e professora. Disse-o, ensinei-o e comovo-me sempre que o ouço. Talvez seja o meu "eu" político a sentir ..Talvez...



quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

MÊS DE DEZEMBRO

Mais um Natal...

Já tenho dito várias vezes que, para mim, como funciono por anos lectivos, o mês de Dezembro não é o último mês do ano. Contudo, Dezembro está tão carregado de tradições que é difícil não sermos apanhados na volta...
Aprendi com o decorrer dos anos que o melhor é não criar grandes  expectativas  acerca das coisas  e irmos vivendo cada dia, conforme se pode. 
Quem  tem uma família pequena, parece só ter direito a um Natal pequenino, na proporção da família. E se algum membro falha é o drama completo.
De há seis anos para cá  vivo o Natal em função dos meus netos. Foco-me neles e , assim, parece que sofro menos ao remexer no baú das minhas recordações, alegrias e frustrações.
E quem não tem ninguém? E são tantas as pessoas que vivem na mais profunda solidão...
É tão injusto este enfoque que se dá à festa da família...É tão penoso não ver os olhos arregalados de uma criança...
O Natal para ser bonito tem que ser justo, solidário, digno, tal como qualquer dia do ano, sem ostentações de qualquer índole, porque o sofrimento que a maior parte das pessoas já carrega, é suficiente para  desejar apagar estes dias do calendário.